O QUE É ERGONOMIA?
Ergonomia é a ciência que estuda a relação entre o homem e seu ambiente de trabalho, com o objetivo de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global. Ao adequar o ambiente de trabalho às necessidades do trabalhador, a ergonomia busca minimizar o estresse físico e prevenir lesões, promovendo um ambiente mais seguro e eficiente.
A ergonomia no trabalho é muitas vezes é subestimada, mas desempenha um papel vital na saúde e produtividade dos colaboradores. No ambiente de trabalho moderno, a ergonomia é fundamental não apenas para o conforto, mas também para a segurança dos trabalhadores, sendo uma componente essencial das práticas de segurança do trabalho nas organizações.
ERGONOMIA E SEGURANÇA DO TRABALHO: UMA RELAÇÃO INTRÍNSECA
A segurança do trabalho e a ergonomia estão intrinsecamente ligadas, pois ambas visam criar um ambiente de trabalho seguro e saudável. A ergonomia foca na adaptação do ambiente de trabalho às capacidades e limitações dos trabalhadores, enquanto a segurança do trabalho busca prevenir acidentes e lesões. Juntas, elas formam uma abordagem holística para proteger a saúde dos colaboradores.
Prevenção de Lesões Musculoesqueléticas
As práticas ergonômicas, como o ajuste adequado de cadeiras e mesas, ajudam a prevenir lesões musculoesqueléticas, que são comuns em ambientes de escritório e fábricas. A segurança do trabalho complementa isso ao garantir que os trabalhadores utilizem equipamentos de proteção individual (EPIs) e os ambientes contemplem as proteções coletivas (EPCs) adequadas.
Redução de Fadiga e Estresse
Ergonomia eficaz reduz a fadiga e o estresse físico, permitindo que os colaboradores trabalhem de forma mais eficiente e segura. Isso é fundamental em atividades repetitivas ou que exigem esforço físico, onde a segurança do trabalho também implementa pausas e rodízios de tarefas para minimizar o desgaste.
Aumento da Produtividade
Um ambiente ergonomicamente projetado aumenta a produtividade, pois os colaboradores podem trabalhar em condições ideais. A segurança do trabalho assegura que essas condições sejam mantidas, prevenindo interrupções causadas por acidentes ou problemas de saúde. Um estudo bem elaborado, ou seja, uma Análise Ergonômica bem-feita identifica também atividades que podem ser eliminadas e que não agregam valor ao processo seletivo. Em alguns postos, a simples mudança de layout pode melhorar o posto e torná-lo mais produtivo.
Conformidade com Normas Regulamentadoras
No Brasil, as Normas Regulamentadoras (NRs) exigem que as empresas sigam diretrizes de ergonomia e segurança. A NR 17, por exemplo, trata especificamente da ergonomia, enquanto outras normas abordam aspectos de segurança que devem ser integrados.
IMPLEMENTAÇÃO DE ERGONOMIA PARA MELHORAR A SEGURANÇA
Existem práticas recomendadas para que as organizações possam efetivamente implementar a ergonomia e melhorar a segurança.
Avaliação Ergonômica
A avaliação ergonômica é o primeiro passo para identificar riscos potenciais no ambiente de trabalho. Este processo envolve:
- Análise do Posto de Trabalho: examinar cada área de trabalho para detectar problemas ergonômicos, como mobiliário inadequado ou iluminação insuficiente.
- Identificação de Riscos: avaliar fatores que podem contribuir para lesões, como movimentos repetitivos, má postura ou equipamentos mal posicionados.
- Feedback dos Colaboradores: ouvir os colaboradores para compreender suas dificuldades e necessidades específicas, garantindo que as mudanças atendam aos usuários finais.
Ao realizar avaliações ergonômicas regulares, as organizações podem antecipar problemas e implementar soluções proativas, minimizando o risco de lesões e aumentando o conforto dos trabalhadores.
Sinceramente, uma empresa que não tem um programa forma de ergonomia simplesmente não entendeu o retorno financeiro que isto pode dar e definitivamente estão deixando dinheiro escapar pelo ralo.
Treinamento dos Colaboradores
O treinamento é fundamental para garantir que os colaboradores compreendam a importância da ergonomia e saibam como se proteger. Isso inclui:
- Educação sobre Postura Correta: ensinar os colaboradores a manter posturas que minimizem o estresse físico, especialmente em tarefas que envolvem longos períodos sentados ou em pé.
- Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): demonstrar como utilizar EPIs adequadamente para evitar lesões, especialmente em ambientes onde há exposição a riscos físicos ou químicos. Parece que não há relação entre ergonomia e EPI, mas certa vez, uma Vice-presidente de SSMA me contou que em uma auditoria no Vietnã, os auditores notaram que os capacetes ficavam solto nas cabeças dos trabalhadores e ao serem questionados, os líderes afirmaram que por conta da auditoria adquiriram os melhores capacetes, os de fabricação americana. Era notório que o biotipo do vietnamita não servia para o capacete. Aqui no Brasil isto ocorre da mesma forma e com os protetores auriculares por exemplo. Observe isso na sua empresa.
- Práticas Seguras: promover hábitos de trabalho saudáveis, como fazer pausas regulares e realizar exercícios de alongamento para reduzir a fadiga muscular.
Treinamentos regulares e atualizados são essenciais para manter a equipe informada sobre as melhores práticas ergonômicas e de segurança.
A ginástica laboral é uma das ferramentas que desacreditam a ergonomia. Se esta for bem implementada, trará resultados, mas da forma que é feita, 2 ou 3 vezes por semana, um aquecimento no meio do turno … esquece, a empresa está jogando dinheiro no ralo.
A Ginástica Laboral tem que ter 3 momentos, um no início do turno que é o aquecimento, outro no meio do turno para aliviar o esforço feito (exercícios compensatórios) e ao final do turno um exercício de alongamento. Esta é a sequência e é desta forma que uma GL dará certo nas empresas.
O problema disto, é que preciso estudar posto a posto de trabalho para identificar o exercício compensatório apropriado e não genérico e o custo de implementação é alto.
Adaptação do Ambiente
A adaptação do ambiente de trabalho é importante para atender às necessidades individuais dos colaboradores. Isso pode ser alcançado por meio de:
- Mobiliário Ajustável: Investir em cadeiras, mesas e suportes de monitor que possam ser ajustados para acomodar diferentes alturas e preferências de postura.
- Layout Flexível: organizar o espaço de trabalho para facilitar o acesso a ferramentas e materiais, reduzindo a necessidade de movimentos repetitivos ou posições desconfortáveis.
- Tecnologia Assistiva: implementar tecnologias que auxiliem os colaboradores com necessidades especiais, como teclados ergonômicos ou dispositivos de entrada alternativos.
Ao adaptar o ambiente, as organizações não apenas promovem a segurança, mas também aumentam a satisfação e a produtividade dos colaboradores.
Monitoramento Contínuo
O monitoramento contínuo é vital para garantir que as práticas ergonômicas e de segurança permaneçam eficazes. Isso inclui:
- Revisão Regular de Práticas: avaliar constantemente as práticas ergonômicas e de segurança para identificar áreas de melhoria.
- Atualização de Equipamentos: substituir ou atualizar equipamentos conforme necessário para incorporar novas tecnologias ou atender a mudanças nas normas de segurança.
- Feedback Contínuo dos Colaboradores: encorajar os colaboradores a fornecerem feedback contínuo sobre o ambiente de trabalho, permitindo ajustes rápidos e eficazes.
O monitoramento contínuo assegura que a ergonomia e a segurança evoluam juntamente com as necessidades da organização e de seus colaboradores.
DESAFIOS PARA O SUCESSO DA ERGONOMIA DO TRABALHO NAS ORGANIZAÇÕES
Implementar ergonomia eficazmente no local de trabalho é um objetivo indispensável para muitas organizações que desejam melhorar a saúde e a produtividade dos colaboradores. No entanto, esse processo não está isento de desafios. A seguir, vamos examinar alguns dos principais obstáculos que as empresas enfrentam ao tentar integrar práticas ergonômicas e como podem ser superados.
1.Resistência à Mudança
Um dos maiores desafios é a resistência à mudança, tanto por parte da administração quanto dos colaboradores. Muitas vezes, as mudanças ergonômicas exigem ajustes nos hábitos de trabalho estabelecidos e a introdução de novos equipamentos ou procedimentos.
Superando a Resistência: para superar essa resistência, é essencial envolver todos os níveis da organização no processo de mudança. Isso pode ser feito através de workshops educacionais que demonstrem os benefícios da ergonomia e do treinamento contínuo para assegurar que todos compreendam como as mudanças irão melhorar seu ambiente de trabalho e saúde.
2.Custo de Implementação
Outro desafio significativo é o custo associado à implementação de melhorias ergonômicas. Equipamentos ergonômicos, como cadeiras ajustáveis e mesas reguláveis, podem representar um investimento considerável, especialmente para pequenas empresas.
Gerenciando Custos: as organizações podem gerenciar esses custos priorizando as mudanças mais impactantes e buscando soluções de baixo custo que ainda tragam melhorias significativas. Além disso, considerar o retorno sobre o investimento em termos de redução de lesões e aumento da produtividade pode ajudar a justificar os gastos iniciais.
3.Falta de Conhecimento e Especialização
O desconhecimento sobre os princípios básicos da ergonomia e a falta de especialistas em ergonomia dentro da equipe podem dificultar a implementação eficaz.
Aumentando o Conhecimento: empresas podem enfrentar esse desafio investindo em formação e treinamento para seus colaboradores e gestores. Contratar consultores externos de ergonomia para realizar avaliações iniciais e fornecer recomendações também pode ser uma estratégia eficaz para preencher lacunas de conhecimento.
4.Integração com Práticas Existentes
A integração de novas práticas ergonômicas com os processos e sistemas de trabalho existentes pode ser complexa, especialmente em organizações com estruturas de trabalho rígidas.
Facilitando a Integração: para facilitar essa integração, as organizações devem adotar uma abordagem gradual, começando com pequenas mudanças que podem ser facilmente incorporadas ao fluxo de trabalho diário. A flexibilidade e a disposição para ajustar práticas com base no feedback dos colaboradores são cruciais para uma integração bem-sucedida.
5.Monitoramento e Avaliação Contínuos
Manter um programa ergonômico eficaz requer monitoramento e ajustes contínuos, o que pode ser negligenciado em ambientes de trabalho dinâmicos e ocupados.
Estabelecendo Processos de Monitoramento: estabelecer processos claros para monitorar a eficácia das mudanças ergonômicas é essencial. Isso inclui a realização de avaliações regulares e a coleta de feedback dos colaboradores para identificar áreas de melhoria contínua.
Superar esses desafios exige compromisso e uma abordagem estratégica. Ao abordar proativamente essas barreiras, as organizações podem não apenas implementar ergonomia de forma eficaz, mas também criar um ambiente de trabalho que promova a saúde, a segurança e a satisfação dos colaboradores. A ergonomia, quando bem implementada, é um investimento que traz retornos significativos em termos de bem-estar e produtividade organizacional.
6. Gestão do Programa de Ergonomia
Vamos ser sinceros, há uma forma de fazer um Programa de Ergonomia vingar ou ser por completo esquecido e entre o sucesso e o fracasso do programa está quem é o gestor do programa.
Os médicos são profissionais caros, carga horária reduzida, muito conhecimento técnico, atividades que não podem ser compartilhadas com outros profissionais e geralmente (claro não são todos) em sua maioria, não possuem facilidade e tempo para gestão.
Acima de todas as dificuldades acima, são poucos programas ergonômicos que dão certo e alcançam a relevância que precisam quando debaixo da área de Saúde. A Gestão deste programa deve estar com a Segurança do Trabalho, se você tem intensão de que seja relevante para a empresa.
CONCLUSÃO
A ergonomia no ambiente de trabalho não é apenas uma questão de conforto, mas uma estratégia essencial para saúde e segurança dos colaboradores e para a eficiência das operações das empresas. Como discutido, ao adaptar o ambiente de trabalho às necessidades humanas, a ergonomia contribui significativamente para a prevenção de lesões musculoesqueléticas, redução de fadiga e estresse, e aumento da produtividade. Além disso, a conformidade com as normas regulamentadoras, como a NR 17 no Brasil, reforça a relevância de práticas ergonômicas bem implementadas.
Os desafios, como a resistência à mudança e o custo de implementação, são reais, mas superáveis com estratégias adequadas, como treinamento contínuo e investimento em soluções ergonômicas eficazes. Além disso, o retorno sobre o investimento em ergonomia é expressivo, com dados indicando que cada real investido pode trazer um retorno de até seis vezes, demonstrando que ergonomia é um investimento inteligente e necessário.
Por meio de avaliações ergonômicas regulares, treinamento apropriado, adaptação do ambiente de trabalho e monitoramento contínuo, as organizações podem não apenas cumprir com obrigações regulamentares, mas também criar um ambiente que promove o bem-estar e a satisfação dos colaboradores. Assim, a ergonomia se revela como um pilar fundamental na construção de ambientes de trabalho seguros, sustentáveis e produtivos.
A gestão deste programa deve ficar com quem mais está perto da área produtiva, ou seja, a Segurança do Trabalho, que é de onde veem os maiores problemas e com o suporte da área de Saúde nas questões estatísticas e técnicas, o processo será implementado e colherá resultados para os trabalhadores.