ARTIGO 17

Manual de Etiqueta para Doações

Até para ajudar, você tem que saber como fazer!

A Dra. Elaine Alves e Dra. Claudia Cerqueira escreveram este Manual de Etiqueta para Doações com o objetivo de mostrar para a sociedade civil como fazer uma doação ser efetiva para a pessoa carente em situação de risco.

Embora seja um conhecimento básico, ele é fundamental para que nossa intenção de ajudar esteja alinhada às reais necessidades e promova os resultados esperados. Doar é, sem dúvida, um ato de caridade, e devemos sempre ter em vista as necessidades dos menos favorecidos. No entanto, é preciso ter em mente que existe uma necessidade básica a ser atendida, e que a doação não deve ser o mero ‘descarte’ de itens que não utilizamos mais.

Este Manual deveria fazer parte dos Planos de Crise de empresas e órgãos governamentais e a população deveria ter acesso a eles. Os benefícios são muitos para todos, desde o processo de triagem, armazenamento, transporte, distribuição e principalmente, no atendimento de quem necessita.

Agora, vem a sua doação … envie este Manual para o máximo de pessoas que você puder e ajude-nos a ajudar.

Boa leitura!

Doe com consciência e ajude de verdade!

Este material tem como objetivo orientar aqueles que têm interesse em fazer doações para as pessoas que, por motivos diversos, passaram por situações de emergências e desastres tais como deslizamentos, enchentes, alagamentos, inundações, tornados, explosões, incêndios, seca, guerra e outras calamidades.

Ilustramos as necessidades decorrentes dessas situações, buscando auxiliar nas dificuldades que elas geram. As sugestões aqui listadas servem como ideias do que de fato é importante. Você pode, a partir deste manual, garantir que sua doação seja mais bem aproveitada.

Desastres são eventos adversos que causam grande impacto no funcionamento de uma comunidade, com perdas humanas, materiais, econômicas e ambientais. O impacto pode incluir mortes, lesões, enfermidades, agravos à saúde mental e outros efeitos negativos ao bem-estar físico, mental, social e espiritual, além de danos à propriedade, destruição de bens e perdas de serviços, entre outros.

Os desastres também são produtos e processos decorrentes da transformação e crescimento da sociedade, do modelo global de desenvolvimento adotado e dos fatores socioambientais relacionados aos modos de vida que produzem vulnerabilidades sociais e, portanto, vulnerabilidade aos desastres.

Existem muitas outras situações que causam sofrimento. Pessoas podem ser separadas da família ou da comunidade, testemunhar violência, destruição ou morte. Os afetados podem se sentir sobrecarregados, confusos ou muito desorientados sobre o que está acontecendo, bem como amedrontados, ansiosos, anestesiados ou insensíveis. Alguns podem ter reações leves, enquanto outros podem manifestar sintomas mais severos. Devido às perdas sofridas, essas pessoas frequentemente ficam dependentes dos órgãos governamentais e da solidariedade alheia. Nesse momento, muitos se aproximam oferecendo apoio por meio das doações.

Mas afinal o que significa doação?

Doar significa ceder voluntariamente, demonstrar dedicação a uma causa ou pessoa, oferecer gratuitamente algo a alguém, sem esperar nada em troca.

Em nosso país, é muito comum a população se compadecer e se solidarizar com grupos, culturas e pessoas vulneráveis e em sofrimento após terem perdido seus bens, patrimônios e entes queridos. A solidariedade atua como um forte laço que une os indivíduos.

Solidariedade é a manifestação genuína de apoio, amparo e compaixão

Situações extremas causam muito impacto e comoção. Independentemente da magnitude da tragédia, a população, de forma empática e solidária, espontaneamente se mobiliza oferecendo doações de roupas, alimentos, água, materiais de higiene e limpeza, eletrodomésticos, entre outros, além de trabalhos voluntários.

Doar é um ato nobre que beneficia tanto quem recebe quanto quem doa. No entanto, algumas pessoas acabam utilizando esse momento para descartar roupas sujas, rasgadas ou sem condições de uso, além de alimentos vencidos ou com embalagens abertas, prejudicando, assim, a ajuda aos afetados por eventos extremos. Cerca de 50% das doações transportadas para o ambiente de desastre podem ser de produtos não prioritários (NP), atrapalhando o fluxo de suprimentos.

Para auxiliar efetivamente, de forma saudável, respeitosa e empática, é necessário ter atenção e cuidado. Este manual tem o objetivo de auxiliar aqueles que desejam fazer doações de forma adequada.

Vestuário

  • Roupas limpas, em bom estado e, etiquetadas com informações de tamanho, sexo e se infantil. Exemplo: blusa feminina, tamanho GG; Conjunto infantil para menino, tamanho 8; Meias masculinas tamanho 34-39.
  • Roupas íntimas sempre novas e sem uso.
  • Calçados em bom estado, sempre presos entre si para não se perderem (amarrados, presos com fita crepe ou em saquinhos individuais).
  • Botas de borracha.
  • Evitar sapatos de salto alto.

Nunca enviar fantasias

Você sabia que muitas doações chegam sujas, manchadas ou até mesmo rasgadas e descosturadas? Sabia que enviam até fantasias entre as doações? Preservar a dignidade da pessoa em sofrimento é de extrema importância.

Alimentos

  • Dentro do prazo de validade, porém não próximo ao vencimento.
  • Embalagens fechadas e sem uso.
  • Alimentos não perecíveis.
  • Água potável.

Material de Higiene

  • Shampoo e condicionador
  • Sabonete
  • Esponja de banho
  • Pasta de dentes fechada e sem uso
  • Escova de dentes
  • Desodorante
  • Pente
  • Escova de cabelo
  • Papel higiênico
  • Absorventes
  • Fraldas geriátricas

Produtos para bebês

  • Lenços umedecidos
  • Algodão
  • Cotonetes
  • Fraldas descartáveis infantis
  • Lenços de papel

Brinquedos

  • Em bom estado
  • Limpos
  • Completos (com todas as peças)
  • Embalados
  • Com informação sobre a faixa etária

Trabalho voluntário

  • Alguns tipos de trabalho exigem profissionais especializados em situações de emergência e desastres (psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, resgatistas
  • Independentemente da profissão, o voluntário pode ser solicitado para qualquer tipo de trabalho (separar doações, contar histórias, cuidar de crianças, trocar fraldas de bebês, entre outros).
  • Tenha certeza de que está preparado para estar naquele local e lidar com pessoas em sofrimento.
  • Procure a coordenação dos trabalhos voluntários.
  • Faça parte de uma equipe
  • Aceite estar sob coordenação e orientação

OBSERVAÇÕES

  • Procure sempre um local ou instituição idônea.
  • Há equipes treinadas para o recebimento e a distribuição das doações.
  • Doação pode ser qualquer forma de ajuda que não impacte negativamente a situação de desastre. Cada um tem uma forma de ajudar, seja com produtos, dinheiro, religiosidade, contação de histórias etc. Sempre se informe sobre o melhor lugar, a melhor ocasião e o melhor momento para sua doação. Informe-se sobre a necessidade das pessoas e do local daquele evento específico.
  • Os meios de comunicação e redes sociais sérias costumam divulgar as necessidades daquele evento traumático. Fique atento!
  • Lembre-se de que pessoas afetadas por desastres perdem muitas coisas, mas não podem perder a dignidade. Suas doações devem ser cuidadosas e preservar a dignidade de quem as recebe.
  • Não existe dor maior ou menor, existe dor. Respeite o sofrimento da pessoa, independentemente do que foi perdido. Aquilo é importante para ela.
  • Cuidado com o que diz. Frases como “Deus sabe o que faz”, “seja forte”, “o importante é estar vivo”, “vai passar” e outras não consolam; são uma violência aos sentimentos de quem está em sofrimento.

    Este manual foi desenvolvido com o objetivo de orientar e incentivar doações responsáveis, garantindo que a ajuda chegue de forma digna e eficaz a quem realmente precisa.

Conteúdo e Coordenação

Cláudia Regina Coriolano Cerqueira — CRP: 06/46067-0 Especialista em luto, emergências e desastres (PUC e NIPED) clarcc03@gmail.com

Elaine Gomes dos Reis Alves – CRP: 06/30847-1 Especialista em luto, emergências e desastres (LEM-IPUSP) Coordenadora do NIPED (Prestar Cuidados em Psicologia) elainegralves@gmail.com

NIPED – Núcleo de Intervenção em Emergências e Desastres

 

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