A PERSPECTIVA DE GUERRA BASEADA EM UMA HISTÓRIA REAL
A perspectiva de guerra em entrevistas de emprego pode ser desgastante e contraproducente……….
O Fernando é um cara muito legal, um perfil técnico, estável e muito competente. Formou-se Técnico de Segurança do Trabalho, cursou Engenharia Ambiental e Sanitária e finalmente obteve a pós-graduação em Engenharia de Segurança. Ainda passou alguns anos trabalhando como TST, mas alcançou o sonhado cargo de Engenheiro de Segurança do Trabalho. Certo dia, com as frequentes mudanças tecnológicas o Fernando deixou de ser necessário e foi demitido … a GUERRA começou.
Fernando já estava há 1 ano desempregado, e sua confiança e segurança abaladas ajudavam a prejudicar ainda mais o seu desempenho nas entrevistas. Ele conseguia fazer muitas entrevistas, mas não passava em nenhuma. Segundo ele mesmo, já ia para a entrevista como cavaleiro indo para a guerra, sabia que seria difícil e que a batalha seria desigual pois o adversário era muito forte.
Depois de lutar por uma recolocação no mercado, o Fernando decidiu procurar ajuda e tudo mudou … em 1 mês e no primeiro processo seletivo o Fernando estava empregado, mas não como Analista ou Engenheiro, mas como Coordenador Corporativo de Segurança e Meio Ambiente.
“Ia para a entrevista como se estivesse indo para a guerra, mas hoje, entendi o processo e vejo que é leve e prazeroso, definitivamente a entrevista não é uma guerra.” (Fernando – nome fictício)
Pressão para vencer
Encarar a entrevista como uma batalha a ser vencida cria um ambiente de alta tensão. O candidato pode sentir que está em confronto constante, tanto com o recrutador quanto consigo mesmo, exacerbando o medo do fracasso. Isso pode levar a um estado de alerta contínuo, dificultando a demonstração autêntica de suas habilidades e personalidade.
A ansiedade de não conquistar o emprego desejado e necessário pode ser comparada a perder uma batalha e as expectativas elevadas e a pressão para obter resultados podem ser esmagadoras, impactando negativamente a confiança do candidato.
Preparação intensa e exaustiva
Assim como um soldado se prepara para a batalha, muitos candidatos sentem a necessidade de serem perfeitos. Isso resulta em uma preparação exaustiva, em que detalhes são analisados em excesso, gerando estresse e fadiga mental. A busca incessante pela perfeição pode impedir que o candidato demonstre espontaneidade e autenticidade.
A falta de informações claras sobre a empresa ou do entrevistador pode criar insegurança. Sem um “mapa” claro, os candidatos se sentem perdidos, aumentando a ansiedade e diminuindo a eficácia da comunicação durante a entrevista.
Equipamento e ferramentas como armas
Focar excessivamente em currículos e cartas de apresentação como “armas” pode desviar a atenção da essência da entrevista: a conexão humana. Essa abordagem mecânica pode impedir o estabelecimento de um vínculo genuíno com o entrevistador. Em vez disso, é fundamental que os candidatos usem suas credenciais como uma base, mas foquem em construir uma narrativa pessoal que destaque experiências e valores únicos.
Mentalidade de sobrevivência
A crença de que é necessário suportar qualquer coisa para “sobreviver” à entrevista pode levar à fadiga emocional e ao esgotamento. Essa mentalidade drena energia e motivação, tornando o processo desgastante e menos produtivo. Para transformar essa mentalidade, os candidatos devem adotar uma perspectiva de crescimento, vendo cada entrevista como uma chance de evoluir e se aprimorar, independentemente do resultado imediato.
Mercado de trabalho competitivo
Em setores ou regiões onde há mais candidatos do que vagas disponíveis, a percepção de escassez pode intensificar a sensação de competição feroz, levando os candidatos a se prepararem para um “confronto”.
Experiências passadas negativas
Se um candidato já passou por entrevistas em que se sentiu avaliado de maneira crítica ou injusta, pode carregar essa experiência para futuras entrevistas, abordando-as como situações de combate.
Cultura organizacional competitiva
A percepção (ou realidade) de que a empresa valoriza uma cultura altamente competitiva pode levar o candidato a acreditar que precisa demonstrar superioridade desde o início.
Narrativas de sucesso
Histórias de sucesso frequentemente enfatizam a luta e o esforço necessários para “conquistar” uma posição desejada, moldando a expectativa de que entrevistas são batalhas a serem vencidas.
Autocrítica e perfeccionismo
Candidatos que têm uma autocrítica elevada ou tendências perfeccionistas podem ver a entrevista como um teste rigoroso de suas capacidades, e qualquer falha é vista como uma derrota pessoal.
Falta de confiança
A insegurança em relação às próprias habilidades e a dúvida sobre a adequação ao cargo podem fazer com que o candidato se sinta em desvantagem, adotando uma postura defensiva e combativa.
Comparação com outros candidatos
A constante comparação com outras pessoas, especialmente em plataformas profissionais ou redes sociais, pode intensificar a sensação de estar em uma competição direta.
IMPACTOS NEGATIVOS DA MENTALIDADE DE CONFRONTO
A mentalidade de confronto pode, de fato, ser responsável por fracassos em entrevistas de emprego. Essa abordagem combativa pode criar uma série de desafios que impactam negativamente o desempenho do candidato. Essa mentalidade pode contribuir para o insucesso nas entrevistas de várias maneiras.
Barreiras na comunicação
Encarar a entrevista como um confronto pode levar o candidato a adotar uma postura defensiva ou agressiva, dificultando a comunicação aberta e honesta. Isso pode criar uma barreira entre o candidato e o entrevistador, impedindo uma conexão genuína.
Foco excessivo na competição
Quando o foco está em “vencer” outros candidatos, o candidato pode negligenciar a importância de mostrar suas próprias qualidades e como elas se alinham com as necessidades da empresa. Isso pode resultar em respostas que parecem ensaiadas ou não autênticas.
Estresse e ansiedade elevados
A mentalidade de confronto pode aumentar o nível de estresse e ansiedade, o que pode afetar a clareza de pensamento e a capacidade de responder de forma eficaz às perguntas da entrevista. Isso pode levar a lapsos de memória ou dificuldades em articular ideias. O nervosismo jamais será causa de uma desqualificação em entrevista por parte do recrutador, mas prejudica o desempenho do candidato.
Perda de oportunidades de escuta ativa
Em um esforço para se preparar para o “ataque”, o candidato pode não prestar atenção suficiente às perguntas ou comentários do entrevistador, perdendo oportunidades de adaptar suas respostas e demonstrar habilidades de escuta ativa.
Falta de flexibilidade
Uma abordagem combativa pode fazer com que o candidato se apegue rigidamente ao seu roteiro ou estratégia, impedindo-o de se adaptar às dinâmicas específicas da entrevista ou de explorar tópicos inesperados que poderiam mostrar sua versatilidade.
Dificuldade em demonstrar colaboração
Empresas frequentemente procuram candidatos que possam trabalhar bem em equipe. Uma mentalidade de confronto pode fazer com que o candidato pareça menos colaborativo e mais centrado em si mesmo, o que pode ser visto como um ponto negativo.
Transformando a Mentalidade
Para evitar que a mentalidade de confronto leve ao fracasso, é importante que os candidatos reavaliem sua abordagem às entrevistas. Encarar a entrevista como uma conversa bidirecional, onde tanto o candidato quanto o empregador estão avaliando a adequação mútua, pode reduzir a pressão e permitir uma interação mais autêntica. Focar em construir uma conexão humana, em vez de “vencer”, pode melhorar significativamente o desempenho e as chances de sucesso.
TRANSIÇÃO PARA UMA PERFORMANCE ARTÍSTICA
A abordagem artística para entrevistas de emprego infunde criatividade e autenticidade no processo, permitindo que o candidato se destaque de maneira única.
Narrativas criativas
Em vez de memorizar respostas padronizadas, os candidatos podem se concentrar em contar suas histórias de maneira autêntica e envolvente. Isso não apenas alivia a pressão da perfeição, mas também permite que o entrevistador conheça o candidato de forma mais pessoal e real. As narrativas devem ser estruturadas para destacar conquistas, desafios superados e lições aprendidas, mostrando como essas experiências moldaram o candidato.
Ao compartilhar histórias pessoais, o candidato pode criar uma conexão emocional com o entrevistador. Isso transforma a entrevista em uma conversa rica e significativa, em que ambos os lados podem se ver como parceiros potenciais.
Exploração do papel
Assim como um ator explora diferentes aspectos de um personagem para uma performance convincente, os candidatos devem explorar várias facetas de suas experiências e habilidades. Isso envolve refletir sobre momentos de sucesso, aprendizado e crescimento, e estar preparado para destacar aspectos específicos que são mais relevantes para a oportunidade em questão.
Um artista deve ser adaptável, ajustando sua performance de acordo com o público e o contexto. Da mesma forma, os candidatos devem estar preparados para ajustar seu foco durante a entrevista, enfatizando diferentes habilidades e experiências conforme as perguntas e o fluxo da conversa.
Incorporando criatividade na apresentação
Visualizar a entrevista como uma oportunidade de contar uma história única, onde o candidato é o protagonista que traz algo especial para a empresa, pode ajudar a reduzir a ansiedade e aumentar a confiança.
Incorporar metáforas ou analogias nas respostas pode tornar as histórias mais memoráveis e impactantes. Isso também demonstra a capacidade de pensar de forma criativa e comunicar ideias complexas de maneira acessível.
Expressão e autenticidade
Ao invés de se ver como um guerreiro em confronto, o candidato pode se ver como um artista, cujo objetivo é expressar sua verdadeira essência e criar uma conexão genuína com o entrevistador. Usar a criatividade para abordar perguntas e desafios durante a entrevista pode transformar a experiência em algo mais dinâmico e menos intimidador.
Interação com o público
Assim como um artista se adapta ao feedback do público, o candidato pode ajustar suas respostas baseando-se nas reações do entrevistador, criando um diálogo mais fluído e menos formal. Cultivar a empatia e a escuta ativa permite ao candidato entender melhor as necessidades do entrevistador, respondendo de forma mais precisa e impactante.
Transformação do nervosismo
Em vez de ver o nervosismo como um inimigo, o candidato pode usá-lo como combustível para energizar sua apresentação, transformando ansiedade em entusiasmo. A preparação diminui a ansiedade, transformando a entrevista em uma oportunidade de mostrar o melhor de si com confiança e segurança.
Finalização e reconhecimento
Ao encarar a entrevista como uma performance, o candidato pode ver o feedback positivo como um reconhecimento de sua autenticidade e esforço, uma celebração de sua “arte”.
Independentemente do resultado, cada entrevista se torna uma oportunidade de aprendizado e crescimento, aprimorando futuras “performances”.
CONCLUSÃO
Ao fazer a transição de uma perspectiva de guerra para uma abordagem artística, os candidatos podem aliviar a pressão e transformar a entrevista em uma experiência mais positiva e autêntica. Esta mudança não só reduz o estresse e a ansiedade, mas também permite que os candidatos mostrem verdadeiramente quem são, criando um impacto duradouro e positivo.